Comportamento / Relações

Sobre Bebê Sling, ‘tendinites convenientes’ e preguiça

 

Bebê Sling (ou Baby Sling)

A melhor tradução de sling para o português é suspender. Mas, ainda não é o ideal para o assunto que será abordado aqui. Suspender ficar parecendo que precisa de uma ou 2 mãos sejam utilizadas e fiquem ocupadas, se a suspensão for feita por uma pessoa e não, uma máquina. Tem outras traduções que podem completar o que estou querendo dizer: funcionar como uma tipóia, um suspensório, dar apoio por suspensão, pois a idéia aqui é manter as mãos livres para outras atividades.

Crianças de colo precisam de contato, carinho e segurança. Uma mãe próxima faz isso. Ao olhar uma criança recém-nascida, tem que se fazer isso de perto, a 15 ou 20 cm de seu rosto, pois, só assim, ela identificará e seu rosto ficará registrado, gravado. Antigamente, na época de minha avó, ou bisavó, a mulher tinha uma carreirinha de filhos. Seis, 7, 10, 13, às vezes mais. E, na maioria das vezes, amamentava todos e, não raro, dois ou 3 de na mesma época, além de carregá-los empenhadamente.

Há duas ou 3 semanas, assisti a uma reportagem no Bom Dia Pernambuco (TVG), na qual se falava sobre a tendinite da mãe de filho de colo. Já virou até diagnóstico. Ora, gente, que frescura é essa? (Nem sei como aguentou a gestação!) Exceto por lesões ou doenças prévias ao parto que limitem ou impeçam a mãe de carregar seu rebento, essa história de tendinite é furada. Colóquio para acalentar bovino (ou conversa pra boi dormir, no popular).

Contato, carinho e aconchego (sem mimos) são primordiais para o desenvolvimento de bebês e crianças

Se eu pudesse perguntar à minha avó – que criou 7 filhos – sobre essa tal tendinite, certamente ela responderia perguntando: “O que é isso?” Na minha ótica (que pode não estar certa), isso tem muito a ver com criar dificuldade para encontrar facilidade, ou seja, deixar o bebê no quadrado, no chiqueirinho, no carrinho ou no berço, desde que não fique nos braços. Ou, ainda, entregar a uma babá que, nem sempre, cuida com carinho da criança de colo (nas suas costas, pois, na sua frente, quase todas são “maravilhosas”).

Pois bem, vocês que têm dificuldades/limitações físicas reais, são portadoras da tal tendinite ou que são preguiçosas mesmo, aqui vai uma dica: o Bebê Sling (ou Baby Sling). Por isso que falei no início da postagem em traduções para o verbete Sling e em deixar as mãos livres para realizar outras tarefas, incluindo a de acariciar o bebê. Quem pensa que o bebê sling é coisa nova ou um modismo que vai passar, saiba que ele existe desde que a espécie humana tomou consciência de si mesma. Na época, há dezenas ou centenas de milhares de anos, peles de animais eram usadas. Hoje, tecidos manufaturados, mais confortáveis.

Então, vocês, mamães de carrinho, de babás, de quadradinhos e chiqueirinhos, informem-se e cuidem melhor de seus filhos. Há uma tremenda diferença entre uma criança nascida de parto vaginal, que mama por longo tempo e que, nos primórdios de sua vida, tem intenso contato com os pais (sim, porque os homens podem e devem usar o bebê sling) e outra que nasceu de cesariana, mamou nos bicos de látex das mamadeiras e foram criadas em quadrados, berços e carrinhos da vida.

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Sobre esses tais carrinhos de bebê, mesmo aqueles que permitem que o bebê fique voltado para quem o conduz, eles dificultam uma das formas básicas de criar vínculos entre pais/mães e filhos(as): o contato aconchegante. Lembrem-se: um bebê num carrinho, mesmo que virado para a mãe/o pai, está muito longe para ver quem o conduz, pois ainda enxerga imagens borradas. De perto, não: vê tudo.

Sobre o Bebê Sling, sugiro que acessem o blog Carinho e Aconchego, de Roberta da Fonte. Lá tem tudo! Desde a história, aos mais variados tipos de sling, passando pelos benefícios inegáveis dessa prática.

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5 Comentários »

  1. Excelente!

    Nossa sociedade vive de muletas, atrofiando-se num mundo de facilidades excessivas. Parece que TER um filho virou item no checklist, poucos querem SER pais e criar um novo ser.

    Gostei mesmo, vou levantar isso no blog Pais Modernos.

    Beijo do Caio! (sem sling, prefiro o bom e velho colo hehehe)

    Comentário by Caio Melo — 06/09/2011 @ 11:28 am

  2. Eu e minha esposa utilizamos Slings para carregar no nosso bebê desde que ele nasceu até quase os dois anos. Chegamos a ter 4 Slings (um M um GG, um G de praia e um M poche – modelo menorzinho) todos de argola. O meu tinha um escudo enorme do Glorioso SCR. É extraordinário poder tê-lo bem pertinho de você, dormindo ou acordado. Ter as mãos livre é impagável. É muito engraçado ver pais nos shoppings carregando o bebê no colo e o carrinho carregado de compras. Acho que é uma das peças básicas de qualquer enxoval de bebê.

    Porém aí vão algumas dicas:

    1) cuidado com slings de argolas vendidos em lojas de bebês. Eles são caros e muito ruins. As argolas tem que ser de aço maciço, sem emendas, completamente liso. (Os nossos eram da Casulinho, mas existem outras opções de qualidade!)

    2) utilizar slings levam um tempo de adaptação. Peça ajuda a quem já utilizou, umas dicas podem acelerar o processo. Existem muitos vídeos na internet. Não existe “a maneira certa”, pessoas diferente utilizam variações diferentes. O importante é o conforto, seu e do bebê. Se não estiver confortável, algo está errado.

    3) não existe modelo melhor, com ou sem argolas. Há vantagens e disvantagens em ambos. Como tivemos contato primeiro com o sling de argolas, nos adaptamos a ele, mas temos amigos que utilizaram e gostam dos sem argolas.

    Boas slingadas para todos,

    André Costa

    Comentário by André Costa — 06/09/2011 @ 9:04 pm

  3. Ah! o Caio prefere o colo porque nunca utilizou um sling!

    =)

    Comentário by André Costa — 06/09/2011 @ 9:05 pm

  4. Você fala isso porque não teve tendinite, eu carrego minha filha o dia inteiro e por isso estou com essa dor horrorosa tentando solucioná-la sem tomar remédio pra não prejudicá-la, pois amamento.

    Comentário by Atena — 01/11/2011 @ 8:38 pm

  5. Ou você é um exceção ou tem uma musculatura deficitária, o que sobrecarrega os tendões e ligamentos. Vá se exercitar. Sugiro Pilates.

    Comentário by Blog Dr. Bayma — 01/11/2011 @ 9:37 pm

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