Comportamento / Relações

Uma jornalista expert em saúde: Entrevista

 

Cinthya Leite*

Quando pensar em uma jornalista competente, pense em Cinthya Leite. Autora do blog Casa Saudável e uma das responsáveis pela área de Saúde & Medicina do Jornal do Commercio (Revista Arrecifes), em Pernambuco, Cinthya esbanja simpatia e competência.
Na entrevista abaixo, troquei de posição com ela: “tirei uma onda” de jornalista e ela foi sabatinada na área de saúde. Observem como é interessante aprender com quem se dedica de corpo e alma ao que faz!

Carlos Bayma: Cinthya, você é jornalista de formação, mas conhece muito da área de saúde e medicina. Como se interessou por essa área?
Cinthya Leite: Na realidade, vejo hoje que o meu interesse por saúde e medicina nasceu na infância, nas aulas de ciências do que atualmente é chamado de Ensino Fundamental I. Tive uma professora dessa disciplina (Daura Meireles), no Colégio Nóbrega, muito didática, dinâmica e criativa. Como sempre fui curiosa, embora uma aluna tímida, casei certinho com a metodologia usada por Daura.
Dessa maneira, consegui aprender tópicos básicos sobre o corpo humano e saúde humana. Poderia ter sido bióloga, talvez. Mas a questão é que sempre fui tarada pela escrita, pela leitura, pela comunicação. Mesmo acanhada, adorava apresentar trabalhos, discutir temas do cotidiano. É nesse sentido que eu digo que timidez nada tem a ver com fraqueza, receio. É apenas um comportamento diferente do expansivo. Só isso. O problema é quando a timidez atrapalha o dia a dia, as atividades sociais e profissionais. Então, do meu jeitinho comedido, fui descobrindo através da leitura (fuçando as livrarias e as bibliotecas) muitos assuntos interessantes sobre saúde humana e que precisam ser passados adiante para a sociedade.
Na Unicap, onde eu me formei em jornalismo, já sabia e tinha certeza de que o meu caminho era o jornalismo em saúde. Fiz o meu projeto experimental, de fim de curso, sobre obesidade infantil. Foram quatro reportagens sobre o tema. Fui aprovada com distinção e fiquei extremamente feliz. Paralelamente, eu havia começado a estagiar no Jornal do Commercio (onde estou até hoje), coincidentemente na editoria do já extinto caderno Família (substituído pela Revista JC que hoje já é a revista Arrecifes), cuja última página era dedicada a temas voltados à saúde.
Desde então, leio muito, leio tudo que está relacionado a essa área, independentemente de ser um texto corriqueiro ou um artigo científico. E gosto de dividir com as pessoas tudo o que aprendo. Afinal, conhecimento só é bom quando compartilhado.

Matérias de Cinthya Leite no JC (Revista Arrecifes)

CB: Você fez algum curso de pós-graduação em saúde?
CL: Sim, claro. Eu amo estudar. Não sou nerd, daquelas que vivem com a cara nos livros, mas adoro conhecer o universo onde piso. Imagine escrever diariamente sobre saúde sem estar por dentro do que acontece nessa área? Seria extremamente difícil: eu encontraria muitas barreiras para compreender a linguagem do segmento em questão e para traduzir esse discurso para os leitores, popularmente chamado de leigos.
Aqui eu abro parêntese: não gosto de usar “indivíduo leigo” porque dá a ideia de que a pessoa não tem uma bagagem de conhecimentos. Prefiro usar pessoas que não são da área de saúde. Mas voltando à pós que fiz…
Como eu também sempre gostei do envelhecimento humano, procurei uma especialização que unisse a saúde e o envelhecer. Assim, participei da primeira turma de pós-graduação em geriatria e gerontologia do Estado, na Faculdade Integrada do Recife (FIR), que hoje é um braço da Estácio. Foi um dos melhores investimentos que já fiz para a minha carreira profissional. A turma era show: médicos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos, administradores – e eu como jornalista. Morro de saudades… A troca de ideias, enriquecedora, abriu meus olhos para detalhes que eu não conseguia enxergar.
O meu trabalho de conclusão de curso foi um artigo que fiz sobre síndrome metabólica em idosos, posteriormente publicado em livro editado por experts em gerontologia, conhecidos nacionalmente (clique aqui para conhecer o livro). Agora, estou dando outros passos acadêmicos em saúde.
Em breve, muito em breve, terei novidades; espero…

CB: Como surgiu a ideia de montar um blog sobre a área?
CL: Como eu disse anteriormente, conhecimento só é bom quando compartilhado. Então, de nada adianta guardar apenas comigo o que eu aprendo diariamente, assim como as informações sobre saúde a que tenho acesso. Ao arquivar as coisas somente para mim, eu me sentia meio egoísta, sem colocar em prática o meu papel de comunicadora. Além disso, o blog Casa Saudável proporciona o intercâmbio de experiências, a troca de ideias e a disseminação de informações que podem até ser simples, mas fazem diferença na vida de outras pessoas. Então, posso dizer que o Casa Saudável surgiu para preencher a lacuna que existia no jornalismo em saúde, que abre leque para a educação no segmento. Paciente educado é sempre paciente bem tratado.

Se fosse médica, Cinthya não tem dúvida de que seria Psiquiatra de idosos

CB: Atualmente, como você enxerga a saúde pública e privada no Brasil, particularmente em Pernambuco?
CL: O sistema de saúde (público e privado) em todo o Brasil, não sendo diferente em Pernambuco, é uma coisa só na prática. Dia desses, eu estava na emergência de um hospital privado, de grande porte, e um dos pacientes, também na espera de mais de 2 horas, disse: “Tou quase indo na UPA da Imbiribeira. Com certeza, já teria sido atendido lá”. Ele se referiu à Unidade de Pronto-Atendimento, que são estruturas de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde e as portas de urgência hospitalares.
Infelizmente, o sistema de saúde só faz dar dor de cabeça a todo mundo. Tudo bem que houve avanços, mas ainda estamos engatinhando quando vêm à tona serviços básicos, humanização da saúde (detesto médico seco, frio…) e agilidade.

CB: Se você fosse médica, em que área atuaria?
CL: Não tenho dúvidas de que seria psiquiatra, com foco em psiquiatria geriátrica. Não porque gosto da medicalização, mas porque vejo muitos idosos mal atendidos, superdiagnósticos, diagnósticos errados, tratamento medicamentoso fora de linha, que piora a saúde mental do paciente idoso. Em pessoas dessa faixa etária, a iatrogenia (condição causada por uma intervenção, justificada ou não, por parte de uma equipe saúde, que resulta em dano à saúde do paciente) faz com que eu fique um pouco indignada.
Só um exemplo: médicos que atendem idosos continuam a prescrever, de maneira indiscriminada, benzodiazepínicos para pacientes com Alzheimer que demonstram irritação, insônia e distúrbios de comportamentos comuns à doença. O clonazepam, diga-se de passagem, ainda é muito prescrito para idosos – e isso abre portas para o risco de queda e a piora da cognição. Enfim, está aí uma área da medicina que precisa ser mais bem trabalhada: a psiquiatria geriátrica.

CB: O que é saúde para você?
CL: Saúde, para mim, é bem mais do que estar em forma, com o corpinho sarado e unhas sempre benfeitas. Saúde é um estado de satisfação que abrange as boas risadas em família, o aproveitamento correto o ócio, a felicidade na profissão, o conhecimento e a organização.
Quando tudo isso desponta juntamente em nossa vida, alcançamos o bem-estar e equilibramos as nossas emoções. O resto vem como consequência.
__________

*Cinthya Leite é jornalista do Sistema Jornal do Commercio, autora do Blog Casa Saudável e Colunista da Revista LaFemme.
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